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16 janeiro 2006

Pinbaleiros do Brasil no Pinball Hall of Fame

Visita ao Pinball Hall of Fame

vejam as fotos na seção Galeria

Aproveitando uma viagem de negócios a Las Vegas, fui fazer uma visita junto com o Alexandre Santos, associado do Rio Pinball Clube, ao Pinball Hall of Fame que o Tim Arnold abriu de forma temporária apenas dois dias antes. Tive a oportunidade de conhecer o Tim e o Hippy pessoalmente. São pessoas muito simpáticas conversamos por quase uma hora, jogamos pinball por mais de 5 horas e tiramos algumas fotos que agora compartilho com vocês junto com alguns trechos de nossa conversa.

O PHoF fica em Las Vegas no 3330 E Tropicana Ave. Ainda não tem nenhuma placa indicando o lugar e tive alguma dificuldade de encontrar pois fica bem recuado em relação a rua. Como tinha a informação de que era próximo de um cinema foi assim que eu o encontrei. Chegando ao lugar a primeira coisa que eu vi foi a fila enorme de EM Gottlieb na frente. Entrei e não havia ninguém no lugar. Fui caminhando e encontrei o Tim Arnold debaixo de uma maquina consertando uma tomada. Apresentei-me, disse que era parte de um grupo de colecionadores no Brasil e ele logo se prontificou a me mostrar as máquinas que ele já havia colocado lá. Conversamos muito e aqui seguem alguns trechos de nossa conversa.


Ricardo Darriba e Tim Arnold

Ricardo Darriba: Tim, qual a área que você tem aqui?

Tim Arnold: São aproximadamente 4400 pés quadrados (em torno de 410 metros quadrados), não é muito, mas é o que eu posso pagar no momento. Eram 5 lojas que eu juntei derrubando as paredes e tirando os banheiros extras. Depois colocamos o carpete e fizemos parte elétrica. O aluguel custa aproximadamente um dólar por pé quadrado, mas com as despesas de luz, meu custo mensal chega a 7000 dólares, o que faz com que eu precise de uma receita de 230 dólares por dia. No primeiro dia, fiz aproximadamente 45 dólares, no segundo uns 130, espero que hoje aumente mais ainda a receita. Esses rapazes vieram ontem (aponta para dois adolescentes jogando) e voltaram hoje. Isso é um bom sinal. Eu já passei por isso antes e não é como um filme no cinema que abre e fatura um monte de dinheiro na primeira semana. Um museu-arcade leva tempo para dar retorno, vários meses. E eu também não vou sair anunciando e promovendo até que eu tenha um produto que eu possa me orgulhar. Todas as borrachas secas substituídas e lâmpadas trocadas. Também não quero os jogos nem muito, nem pouco inclinados. Nós temos trabalhado de 12 a 14 horas todo dia. Eu e o Hippy indo a cada máquina e colocando elas 100%. Ter muita gente em volta só iria atrasar esse trabalho importante.

Ricardo Darriba: Como você pretende recuperar os custos? Você pretende cobrar ingresso?

Tim Arnold: Por enquanto não, porque não quero perder as pessoas que estão vindo para cá para ir ao cinema e que enquanto esperam podem gastar alguns dólares aqui. A idéia do PHoF não é ter lucro, mas eu realmente gostaria de ele conseguisse se manter com suas próprias pernas, somente com a receita própria. Eu tenho algum dinheiro que eu poderia aplicar e isso me permitiria bancar parte dos custos, mas não gostaria de fazer isso agora. As máquinas antigas estão funcionando com apenas um ‘quarter’ (25 centavos) e as novas dois ‘quarters’. Por isso a receita não é muito grande. Infelizmente não temos moedas de um dólar, senão ficaria muito mais fácil manter o lugar. Eu também não posso simplesmente manter as máquinas desligadas para economizar energia porque a idéia é ter sempre todas as máquinas disponíveis para jogo.

Ricardo Darriba: Porque você não usa fichas ao invés de moedas?

Tim Arnold: Eu poderia, mas as moedas são de graça e as fichas eu teria que pagar por elas. Eu estou pensando em talvez colocar umas caixas para controle nas máquinas e com isso poder cobrar também por dia. Assim, alguém poderia pagar uns 20 dólares e jogar o quanto quisesse, e isso também não afastaria o jogador ocasional que quer jogar apenas uma partida enquanto espera pelo filme. Vou ver como as coisas evoluem para estudar as possibilidades. Eu tenho conversado com outras pessoas que gerenciam museus e todos eles me falam que depender somente da receita própria para manter o negócio é muito difícil. Então, eu provavelmente no futuro vou aceitar doações de pessoas e devo fazer uma parede com o nome de todos que fizerem doações acima de 1000 dólares (ri). Na verdade, não importa. Mesmo quem fizer uma doação de 5 dólares vai ter seu nome na parede. A idéia é a pessoa que fizer uma doação passar a receber uma ‘newsletter’ que eu vou enviar por email. Agora eu estou realmente focado em colocar as máquinas em funcionamento, como dizem no ramo de restaurantes: ‘it’s the food, stupid’, aqui é a mesma coisa: ‘it’s the game, stupid’. O importante é a qualidade do produto, que as máquinas sejam boas e estejam funcionando perfeitamente. Eu não quero as pessoas saindo daqui e dizendo que foram no PHoF, mas que não conseguiram jogar, porque as máquinas davam problema o tempo todo. Eu acredito que se você dá o melhor para o cliente pelas moedas dele ele volta, mesmo sem um interior luxuoso, tapete, letreiros, descontos, etc. Tendo apenas os pinballs e nada mais, eu espero dar aos clientes jogos que vão divertir e recompensar aqueles que colocam as moedas nele. As crianças também entram aqui com os pais e ficam procurando pelas máquinas de vídeo antes de jogar em um pinball e ficar totalmente grudadas. Nós temos essa mini Gottlieb do Mario Bros que está com pés pequenos e eles adoram. Eles conhecem o tema e o jogo é simples, perfeito para eles. Eu também estou pensando em fazer uma área para festas de crianças onde possa ser colocado o bolo e elas fiquem jogando nas máquinas. Ou mesmo para festas de adultos de 30, 40 anos, que queiram vir aqui beber umas cervejas e jogar pinball. Eles colocam as bebidas deles no canto e podem ficar aqui se divertindo. Talvez deixe até despedidas de solteiro aqui, desde que não tenham mulheres com peito de fora (ri).

Ricardo Darriba: Quando você abriu o PHoF?

Tim Arnold: Na verdade ainda não abrimos oficialmente. Ainda estou aguardando a licença de negócio, mas como os bombeiros já fizeram a inspeção do lugar, testaram os sprinklers e deram o ok, eu resolvi fazer este ‘soft opening’ e estamos abertos faz apenas dois dias. As pessoas que estão freqüentando estão oficialmente testando as maquinas. Mas, isso é apenas um detalhe, em breve eu devo receber a autorização final. Só começo mesmo a pagar o aluguel após ter a licença de negócio, provavelmente no início de fevereiro devo recebê-la. Por enquanto também não estou fazendo propaganda, estou contando apenas com que as pessoas vão vir aqui, vão gostar e vão falar para os seus amigos. Eu nem mesmo coloquei um letreiro e acho que não vou colocar, vou fazer apenas uma faixa. Depois que estiver tudo funcionando do jeito que eu quero, vou fazer um ‘press release’.

Ricardo Darriba: Você vai abrir todos os dias?

Tim Arnold: Sim, a idéia é essa. Todos os dias das 11 as 11. As pessoas me falam que eu deveria fechar pelo menos um dia da semana para descansar, que não deveria abrir nas segundas-feiras. Aí eu falo que se o proprietário me der o desconto desse dia no aluguel eu não venho trabalhar (ri).

Ricardo Darriba: Como você consegue dedicar tanto tempo ao PHoF? Você trabalha com alguma outra coisa?

Tim Arnold: Eu consegui ganhar bastante dinheiro com Árcades, na época que se fazia dinheiro com eles. Então com 35 anos eu pude me aposentar graças a isso. Era tanto dinheiro que nós pegávamos as moedas com pás e colocávamos em baldes para levar para o banco. Além disso, quando meus pais faleceram me deixaram alguma coisa também, com isso hoje eu posso me dedicar totalmente ao pinball. Eu também faço um trabalho de caridade com o Exército da Salvação e várias vezes organizei eventos para levantar fundos. Chegamos a levantar $250 mil dólares em eventos onde as pessoas pagavam para entrar e podiam jogar as máquinas de graça. Eram os Fun Nights. Infelizmente, tive que parar com isso pois nos últimos eventos eram mais de 400 pessoas e ficava impossível caminhar entre as máquinas. Meu depósito ficou totalmente lotado de pessoas. Nós ficamos realmente bons em fazer eventos para arrecadar verbas.

Ricardo Darriba: Você tem máquinas de vídeo também?

Tim Arnold: Tenho umas 40, mas não pretendo comprar mais. Vídeogames são para crianças.

Ricardo Darriba: Como você está organizando as máquinas no PHoF?

Tim Arnold: A idéia é ter seis filas de maquinas aqui. Por enquanto, estamos com quatro filas completas e aproximadamente 125 máquinas. Tenho espaço para colocar umas 210 máquinas, o que é apenas uma parte de todas as máquinas. As outras estão a uns blocos daqui, no depósito da minha casa. Tenho mais de 1000 máquinas hoje. Aqui na primeira fila, eu coloquei as EM da Gottlieb ‘wedgeheads’ porque são as mais iluminadas para chamar a atenção do pessoal que vai ao cinema. Agora não dá para ver porque é de dia, mas a noite fica bem iluminado. Na segunda e terceira filas estão as máquinas dos anos 80 e 90 da Bally, Gottlieb e Williams. Aqui na quarta fila estão todas as máquinas EM da Bally em ordem cronológica, quer dizer, todas não porque não cabem aqui, mas eu escolhi as melhores. A quinta e a sexta fila eu ainda não trouxe muitas máquinas, mas ali no final vou colocar as máquinas estranhas. (Aponta para uma Gorgar. Eu falei que achava a máquina assustadora quando era mais novo, ele riu e disse que eu me assustava muito fácil). Na parte do fundo também estão as máquinas mais antigas. Toda a máquina tem um papel com a data de fabricação, o número de máquinas fabricadas, o número de série, os designers, etc. Eu coloquei isso também para evitar que as pessoas batam fotos das minhas maquinas para anunciar outras no ebay.

Ricardo Darriba: Reparei que você colocou algumas EM com três bolas? Por que fez isso se originalmente elas tinham cinco bolas?

Tim Arnold: São apenas 25 centavos por partida, eu optei por colocar as máquinas EM que tinham flipper grande com três bolas e as de flipper pequeno com cinco bolas. Mas, tenho várias máquinas jogando com cinco bolas. Mas, vai ter sempre gente reclamando, se não for pelo número de bolas vai ser dizendo que eu tinha que cobrar cinco centavos por partida porque as máquinas são velhas(ri). Na verdade, eu tenho reparado que não está havendo resistência aos jogos de 50 centavos, até mesmo os novos modelos com DMD que são 50 centavos com três bolas. A maioria das pessoas está feliz só por ver tantas máquinas em um só lugar e 50 centavos não é nada se comparado com o que você joga em um caça-níqueis em um curto intervalo de tempo. Além disso, mais da metade das máquinas, as EM antigas, custam somente 25 centavos.

Ricardo Darriba: Qual a máquina mais antiga que você tem aqui?

Tim Arnold: É a Rondevoo, de 1948, quase toda de madeira, inclusive os pés. Os flipper também não são na parte de baixo do pf, como você pode ver são no meio, tem um formato diferente e se movimentam de fora para dentro e não de dentro para fora como nas máquinas mais recentes. Mas, eu também tenho várias máquinas da década de 50, como a Hayburners de 51, onde o backglass tem vários cavalos que vão correndo de acordo com os lugares onde a bola toca.

Ricardo Darriba: E qual sua máquina preferida?

Tim Arnold: Não, eu não faço esse jogo da máquina preferida. Minha máquina preferida é sempre a máquina que eu estou trabalhando no momento.

Ricardo Darriba: Você faz toda a manutenção das máquinas?

Tim Arnold: Sim eu e o Hippy, nós cuidamos sozinhos das máquinas e do lugar. (Me apresenta ao Hippy, eu pergunto qual o nome dele e ele responde: ‘é Hippy. Aqui tudo é simples eu sou o hippie e ele é o cabeludo’). Eu venho fazendo isso por toda a minha vida e utilizo varias técnicas para manter as máquinas em boas condições de jogo. Veja aqui (me leva até uma EM e inicia um jogo), quando a bola não está em jogo todas as luzes do playfield ficam apagadas. Eu fiz uma adaptação para interromper a corrente para as lâmpadas. Com isso eu evito que as lâmpadas aqueçam o playfield e assim diminui o problema do playfield ficar quente de dia e frio de noite. Esta adaptação evita a formação daquelas linhas verticais de falha na pintura que são muito comuns e que ocorrem por causa da dilatação e contração da madeira pela diferença de temperatura. A idéia é simples, se não tem energia para os flippers também não tem energia para as lâmpadas. Eu também quero que as pessoas aproveitem ao máximo a experiência de jogar aqui. Por isso, nas saídas laterais das máquinas da Bally, eu coloquei uns pedaços de borracha. Nas máquinas originais, a Bally colocava metal de forma que a bola batia e caía direto. Eu coloquei a borracha e assim com uma pequena sacudida a bola volta ao jogo.

Ricardo Darriba: Continuamos caminhando pelo corredor e passamos por várias máquinas eletrônicas da Gottlieb. Eu comento que acho que essas máquinas nunca foram para o Brasil e que eu nunca havia jogado.

Tim Arnold: Na verdade não é só você que nunca jogou. A maioria das pessoas não jogou nestas máquinas que são bastante divertidas, mas aparentemente todo mundo nesta época só queria saber das máquinas da Williams. E essas máquinas acabaram ficando em um segundo plano. A Williams acabou tirando a Gottlieb do mercado. Eu ainda converso com o Alvin Gottlieb. Ele está com quase 80 anos e teve um ataque cardíaco recentemente, mas ainda gosta muito de conversar sobre pinball.

Ricardo Darriba: Mas, nós no Brasil também temos máquinas que você nunca viu. Por causa de uma lei federal a Taito passou a fabricar pinballs no Brasil, baseados em máquinas americanas, mas desenvolvidas no Brasil. (Expliquei que Fire Power virou Fire Action, Black Night virou Cavaleiro Negro).

Tim Arnold: Máquinas ‘bootleg’ do Brasil. Mas, aposto que a Fire Power brasileira não era assim (vamos para perto da Fire Power dele). Dá uma olhada nos targets, ta notando algo de diferente? Essa é uma das poucas máquinas fabricadas onde os alvos ainda eram ‘drop targets’, somente depois que eles alteraram para alvos fixos. Existem duas versões para eles terem mudado isto. Uma é que a Williams decidiu que tinha que baratear o preço do custo de fabricação da máquina e a solução acabou sendo substituir os ‘drop targets’ por alvos fixos. A outra versão é que na verdade o projeto original era com alvos fixos e eles alteram. Mas a verdade é que toda Fire Power está preparada para receber ‘drop targets’ e se você examinar o software vai ver que ele tem o comando para levantar os targets.

Ricardo Darriba: Tim, eu ainda vou conseguir um patrocínio e vou organizar um torneio no Brasil, onde o primeiro prêmio vai ser uma viagem ao PHoF em Las Vegas.

Tim Arnold: Se você fizer isso, o vencedor vai jogar um dia inteiro aqui de graça. Essa parte é por minha conta.

Nota 1: Por isso, as máquinas de pinball possuem a frase ‘For Amusement Only’, para indicar que eram apenas para diversão.

Nota 2: A máquina do meio é a Gottlieb Baffle Ball de 1931. Provavelmente a primeira ou segunda máquina fabricada pela Gottlieb. David Gottlieb passou os o início dos anos vinte vendendo ‘punch cards’ no Texas. Então, se mudou para Chicago e fabricou jogos “grip testers”. Nos anos 30, quando o boom do pinball começou, ele obteve uma licença para construir máquinas de ‘bingo’ para a ‘Bingo Mfg. Co’. Ele rapidamente pecebeu que qualquer um poderia fazer o design de uma máquina de pinball, então desistiu do ‘bingo’ e criou a sua própria ‘Baffle Ball Milhares de máquinas como esta foram fabricadas, mas muito poucas ‘sobreviveram’ depois da Segunda Guerra Mundial. A maioria das remanescentes foi repintada e tiveram nome no alto quebrado. A máquina da direita é a Gottlieb Playboy de 1932. Esta máquina tem um jogo de cartas e o ‘bartender’ pagava prêmios em dinheiros para ‘winning hands’. É a versão em madeira e aço para o video poker!!

Nota 3: Estas duas máquinas, Neptune e Hit the Deck são a mesma máquina, porém, uma para o mercado americano e outra para exportação. Recentemente uma terceira versão desta máquina apareceu para venda no eBay, com o nome de Poseidon, e foi uma versão feita para venda na Itália. A curiosidade desta terceira versão é que a mulher do backglass está com óculos escuros e de ‘topless’. Muitas vezes aparecem máquinas assim que eu nem sabiam que existiram.

Nota 4: Se você observar o playfield vai verificar que na verdade são duas máquinas diferentes, várias adaptações tiveram que ser feitas na máquina. Por exemplo, observa no meio do playfield o bônus multiplier da versão digital é 5x e na versão EM, de apenas 2x. isso teve que ser feito, junto com várias outras alterações para manter o score da EM mais baixo, pois o placar dela só possui 5 dígitos, comparado com 6 dígitos da máquina digital.

Nota 5: Como vocês podem notar, cada máquina tem uma letra associada que define a seqüência que seriam lançadas. Em alguns casos, vocês podem notar que uma determinada máquina foi ‘adiantada’ em relação ao plano original, como a Close Encounters que foi lançada antes para aproveitar o sucesso do filme e a Charlie’s Angels para aproveitar o sucesso do seriado na televisão.

Nota 6: A máquina Asteroid Annie and the Aliens foi na verdade um presente de aposentadoria da Gottlieb para o designer John Buras. Ele queria fazer um último clássico com cartas, então o David Gottlieb deu carta branca para ele fazer a máquina como quisesse e que ele poderia usar para isso as placas de circuito que estivessem em estoque na fábrica. Haviam 211 placas e este foi o número exato de máquinas que foram produzidas. Se você olhar os detalhes no desenho dos aliens e até mesmo no playfield, vai reparar o detalhe de como foram feitos. Uma coisa única nesta maquina é a impressão em chapa de metal que foi feita na arte do topo do playfield, algo que normalmente era feito em plástico.

Nota 7: Estas máquinas nunca foram produzidas. A 4×4 foi somente um protótipo e vocês podem observar que não havia ainda desenhos nos plásticos e o design do backglass ainda está no papel. Já a Road Runner estava pronta para ser lançada, dois protótipos foram produzidos, um usando as placas da Superman e outro com placas novas desenvolvidas para ela. Esta que eu tenho aqui é a que usa os novos circuitos. Todo material para produção em série já estava pronto, inclusive os painéis para pintura do backglass, que naquela época tinham um custo muito elevado. Foi gasto um grande volume de dinheiro no design destas máquinas que nunca foram lançadas. A Warner que comprou a Atari, chegou na fábrica um dia e disse que estava fechando a divisão de pinball e que todos os funcionários deveriam sair, sem levar nada. O material que estava na fábrica foi a leilão anos depois e a pessoa que arrematou a Road Runner me deu ela de presente depois. Eu gastei horas nesta máquina, pois para fazer o projeto mais barato, ela foi toda construída utilizando ‘wire-wrap’, então qualquer movimento na máquina gerava um mau contato. Vocês podem observar também, que neste protótipo para reduzir custos, apenas os displays para os jogadores 1 e 2 foram instalados. Curioso também é que se você consultar a Warner (dona dos direitos autorais do Road RunnerPapa-Leguas) e perguntar sobre a máquina de pinball que foi feita com os personagens do desenho animado, eles vão te responder que nunca existiu máquina de pinball com estes personagens. No entanto, está aqui.

Nota 8: Eu realmente não entendo os operadores de ‘arcades’, com um pequeno investimento como este, você coloca a máquina com uma aparência muito melhor. As máquinas do PHoF tem aquela aparência boa por dois motivos, um porque todas estão com vidros novos e outro porque pouco antes da fábrica da Gottlieb fechar, eu liguei para eles e perguntei quais playfields eles tinham em estoque. Tinham vários e eu fiz um pedido de um de cada que eles tinham disponíveis, ao preço de 79 dólares cada um. Gastei mais de 10 mil dólares, mas foi um excelente investimento, porque hoje tenho as máquinas todas como se tivessem saído da fábrica recentemente.

Veja também as fotos do depósito do Tim Arnold na seção Galeria.

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