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02 dezembro 2005

O Maior Colecionador de Pinball do Mundo

TIM ARNOLD

LAS VEGAS MERCURY

BUMPER CROP
Uma excêntrica jornada para a preservação do glorioso passado do pinball.

Um Dia de Flipper
Colecionador tem planos para a criação de um museu de pinball em Las Vegas
Por: Andrew Kiraly

Quando Tim Arnold liga os interruptores na caixa de força, soa como se um exército de robôs velhos estivesse voltando à vida – um coral dos “blips” e dos zumbidos, dos suspiros e das batidas , de gritos digitais e de sons eletrônicos enche seu cavernoso armazém localizado no quintal. Backglasses brilham fortemente, e o som de mais de 400 máquinas ligadas ao mesmo tempo, fazem um tipo de música muito estranha para se ouvir em uma tarde de sexta-feira.

Arnold concentra-se, e presta atenção em um único som vindo da fileira norte de máquinas e diz "Isto é um rolamento arrebentado."

Arnold não é somente o dono destas máquinas, é também o restaurador, historiador, consertador e intérprete, um maluco que abandonou a faculdade por causa de seu amor por bater em uma esfera de aço em torno de um plástico, de uma borracha e de um playfield de Plexiglas. Mas talvez tudo que Arnold seja – ele se denomina “o cara com muitas máquinas de pinball”- um maluco que ama todas estas máquinas; desde uma Baffle Ball da Gottlieb de 1931 (a bagatelle a qual se atribui a explosão do pinball) à Família Addams de 1991, uma das grandes máquinas da Midway que um dia entrará para o Pinball Hall of Fame.

Onde fica exatamente o Pinball Hall of Fame? Ainda não existe. Arnold pretende construí-lo.

"Não é uma coisa de yuppie egoísta, algo sobre minha pessoa e todo meu material, com uma dúzia de jogos atrás de cordas e com placas dizendo ‘Não Toque’ ” Arnold diz, gesticulando em direção às máquinas. "É sobre mim e alguns outros companheiros do pinball mudando o mundo à nossa maneira. E por que não o Pinball Hall of Fame? Quer dizer, criaram o Hall of Fame do Boliche, e este é o esporte mais idiota já inventado.”

Se há alguém perfeito para o trabalho, este é Arnold, um hippie cujo tema favorito é pinball, claro.

"Cada vídeo-game consiste em uma memorização de certos padrões," diz. "Mas com pinball, ninguém pode prever o que a bolinha pode fazer. É loucura. É aleatório. Há uma liberdade que poucos outros jogos podem oferecer."

Se o pinball for liberdade, o armazém no quintal de Arnold é a terra prometida, uma Meca para os pinball-maníacos que atrai atenção local, mas é um ponto famoso no mundo do pinball. Não é incomum jogadores e colecionadores virem até do Japão para uma espiada – e um jogo ou dois – em sua coleção, que inclui uma de cada máquina de pinball da Gottlieb já feita.

"Há pessoas no mundo com mais máquinas, mas a coleção de máquinas restauradas dele é a maior do mundo," diz Jim Schelberg, editor do jornal The PinGame Journal, uma revista para colecionadores de máquinas de pinball. "E seu ponto de vista como um proprietário de máquinas, é que estas não são feitas para serem apenas olhadas, mas principalmente para serem jogadas. É uma opinião sensata, e que está absolutamente correta."

"Se você quer assistir à TV clássica, existe o Nick at Nite (série antiga da programação norte-americana), e você também pode assistir à filmes clássicos," Arnold diz. "Mas e se você quiser jogar o pinball clássico? Não há nenhum lugar onde isto possa ser feito . Eu costumava achar que em toda fábrica eram mantidas uma unidade de cada máquina feita, caso fosse necessário. Conheci então um ara que trabalhava em uma fábrica de pinball. ‘Nós não guardamos tudo!’ Assim, o Pinball Hall of Fame é o tipo de lugar impossível de ser duplicado, um lugar verdadeiramente único."

Certamente este lugar tornar-se-á a fábrica de seus sonhos.

Aperte para jogar

A adolescência de Arnold incorpora a essência da lenda do pinball-maníaco. Tendo passado sua infância em Lansing, Mich., Arnold começou sua fixação por pinballs com a máquina Mayfair de 1966 da Gottlieb. Sua enorme obsessão pelo jogo é somente equiparada por sua paixão por consertar, e aos 14 anos, Arnold comprava máquinas velhas por $50 cada, restaurando-as com seus irmãos Tom e Ted, e colocando-as em salões de pizzaria, em casas de jogo, em lavanderias e/ou em apartamentos. Inicialmente a renda era modesta – variando entre $25 e $30 por mês – mas logo os irmãos de Arnold administrariam um império de pinball que incluiria mais de 60 máquinas. Aos 19, Arnold saiu da faculdade para dedicar todo seu tempo à sua fé na pinball-mania.

"Era simples. Eu odiava a escola, mas amava o pinball", ele diz. "Escola para mim era ficar decorando coisas para passar em testes, então porque me preocupar com estas coisas se estava ganhando $30.000 por ano com pinball?”

Em 1976, abriu seu próprio fliperama, o Pinball Pete’s, que está aberto até hoje. "Me tornei colecionador por um defeito. Em vez de trocar máquinas velhas por crédito, eu apenas as armazenava." O resultado deste seu costume é sua coleção atual que inclui quase 400 máquinas em funcionamento e 600 mais que Arnold ainda vai restaurar – máquinas com poeira encrostada no caixote, sem pés, muitas sem cabeçote, empilhadas até o teto como caixões

Os irmãos Arnold assistiram ao fim da “Sua Década” (Me Decade), enquanto pixels substituíam as bolinhas de aço: a vídeo-mania tinha começado oficialmente. Certamente, os anos de 79 à 82 – com sua horda de Space Invaders, Asteroids e Pac Men- sinalizariam a lenta morte do pinball como arcade principal, mas esta breve era, chamada de “The Money Hose” (a mangueira de dinheiro) por Arnold, permitiria também que ele acumulasse capital suficiente para encontrar eventualmente um lugar para sua coleção em Las Vegas

"Aqueles foram os anos da mangueira do dinheiro," recorda Arnold. "Nós fomos de 80 por cento pinball e 20 por cento vídeo-game para 80 por cento vídeo-game e 20 por cento pinball. Em dois anos, a cauda estava começando sacudir o cão. Nossas despesas gerais permaneciam a mesmo, mas nossos lucros começaram a dobrar ou triplicar, e a cada semana fazíamos um novo recorde." A renda dos irmãos Arnold atingiram $4.800 em uma semana; tinham tantas fichas que regularmente superaqueciam o contador de fichas.

“Era como se eu fosse o Tio Patinhas,” Arnold diz. “Podia praticamente nadar no dinheiro, se bem que não era exatamente um líquido como no desenho animado.”

O tempo todo, entretanto, Arnold sabia que este “boom” fazia parte de um ciclo maior. Mas este ciclo era diferente. “Negócios sempre foram cíclicos,” Arnold afirma, “mas o ‘boom’ dos vídeo-games estava colocando o pinball de lado.” Para sempre.


Pinball wizard morto; vídeo suspeito

A afirmação de que o vídeo matou o pinball é muito usada, mas será verdadeira? É um assunto que impressiona qualquer pinball-maníaco.

"Esta é uma discussão eterna que não chega a lugar nenhum," diz Schelberg, "mas acho que o que tornou o pinball grande e original foi o mesmo que o matou. E isso é porque é um jogo muito físico. Não é algo que você pode apenas plugar e não tocar até que a caixa de moeda esteja cheia. Tentaram duramente eliminar os problemas mecânicos, mas há muito a se fazer. Se estiver sujo demais, a bolinha não rola rapidamente. Se as tiras de borracha não forem novas, os rebatimentos são quase desprezíveis.”

Joe Kaminkow, que trabalhou como designer da Williams diz que os problemas não eram de manutenção e sim a mudança dos tempos.

"Nós nos tornamos o chicote da indústria do jogo," diz Kaminkow, hoje vice-presidente de design de jogos pela Internacional Game Technology. "Entre coisas como jogos de trivia e as mudanças no ambiente social – quero dizer, crianças não vão mais aos fliperamas, elas vão para casa e conversam pela Internet – e o pinball acabou virando um fraco entretenimento para a época. E com muitos operadores não prestando serviços de manutenção como deviam, o jogo tornou-se ainda menos atrativo."

Outros dizem que o pinball perdeu sua segurança no mercado; em sua busca pelo dinheiro dos mais jovens, o pinball – que antes balanceava o jogo e a arte com estilo – tornou-se pouco mais que, como Arnold diz, “seios e fogo."

"Quando o vídeo-game surgiu, fabricantes de pinball subitamente passaram a criar jogos com as típicas fantasias masculinas, aviões, catar mulheres, matar russos," diz Arnold. "E mataram toda sua audiência neste processo. Se mataram tentando fazer o que os vídeo-games retratavam."

As teorias variam. Mas o que não está na dis****, é que durante os anos 90, muitos fabricantes do pinball buscavam ar em um mar de Playstations e de jogos de PC; Gottlieb/Premiere fez sua última máquina, Barb Wire, em 1995; depois de comprar a Bally em 1988, a Williams veio a um triste fim com seu desastroso conceito “Pinball 2000”, um híbrido de vídeo-game e pinball em forma de Revenge From Mars e Star Wars: Episode I (em 1999, a companhia anunciou que interromperia a produção do pinball devido "a um período prolongado de demanda fraca e de perdas financeiras" de acordo com seu Website). O único fabricante sobrevivente de pinball é o Stern Pinball, que tem modelos tradicionais, focalizando-se em jogadores medianos e não em mestres do pinball; Stern, cuja fábrica está localizada em Chicago, é responsável pela produção de títulos famosos como South Park e Harley Davidson.

Casa de estilo

O que aconteceu exatamente? Seria fácil o bastante julgar para si com uma simples volta pelo armazém de Arnold, onde as máquinas estão espremidas pela década e geralmente cobertas com caixas lotadas de placas de circuitos e fiações e onde os lustrosos modelos "wedgehead”(cabeça pequena) que reinaram dos 50 aos anos 70 – que em sua pior fase flertavam esportivamente com sexo e violência – dão lugar às “armas” dos anos 80.

Não interprete mal, Arnold seria último a defender a estética ou a jogabilidade de suas máquinas. Muita delas – tais como aqueles manufaturadas antigamente, quando a Gottlieb "começou a assinar licenças f*****s" – são, em sua opinião, "belas m****s." Porém, Arnold pode rapidamente mirar suas “wedgeheads”- Flipper Parade de 1961 com seus lépidos tambores, ou sua adorada Mayfair com sua cômica corrida de cavalos (o último jogo com a arte-final feita pelo prestigiado artista Roy Parker) e começa a nostalgia.

De fato, Arnold não pode evitar de colocar uma ficha na Mayfair e jogar um pouquinho, algo que faz algumas vezes por semana, variando de 20 minutos a algumas horas. "Depende," diz, "do quanto estou vestido, se estiver despido, jogo por apenas meia hora."

Assistir Arnold jogar é uma lição de calma, controle e paciência. Enquanto usa os flippers com experiência, a Mayfair parece chacoalhar constantemente. Algum tipo do defeito de montagem? Não, é Arnold realizando o que consiste em metade da estratégia de uma partida de pinball: mandar a bolinha onde desejar, sem bater na máquina. Pinball NÃO é apenas bater numa bolinha com flippers.

“Leva por volta de 15 a 30 minutos para ‘se unir’ com uma máquina,” Arnold diz. “É quando você atinge um estado Zen e começa a detonar a máquina.”

De fato, o jogo e não só a beleza, é importante em uma máquina; Arnold admite algumas preferências após 1979. Por exemplo a Cavaleiro Negro de 1980 da Williams, que introduziu o botão “Magna-Save”, múltiplos níveis e múltiplas rampas.

“Este era o Sr. Entretenimento da época,” Arnold diz. “A Cavaleiro Negro era a Honda para sua Mobilete. As rampas mudaram tudo.”

É um comentário que direciona ao assunto “O que é uma boa máquina de Pinball?”

"Um bom jogo de pinball é mais do que habilidade e estratégia," Arnold diz. "É uma boa diversão gerada por um simples mecanismo. Não é como uma daquelas máquinas da garra onde pode diminuir a tensão e o objeto pego cai no último segundo. Essa é uma péssima diversão. Um bom jogo de pinball – com muitos objetivos a serem cumpridos – fará você pensar que está vencendo e no momento seguinte, você está ferrado. Isto é uma boa diversão. Nenhum vídeo-game pode passar esta sensação."

Nem um simulador de pinball?

Arnold discorda. “É como beijar sua irmã. Não faz sentido.”

O Hall of Fame

Após vender suas cotas do Pinball Pete’s a seus irmãos, Arnold veio a Vegas em 1990, onde começou a aumentar sua coleção de Gottliebs com máquinas dos anos 40 e 50, e fazendo "Fun Nights" (noites de diversão), festas beneficentes onde ele e alguns amigos comiam pizza, jogavam pinball e entregavam as doações para o Exército da Salvação; sua última “Fun Night” arrecadou mais de $10.000 para caridade. Esta mistura de ações sociais e pinball-mania que faz o sonho de Arnold de criar o Pinball Hall of Fame – um sonho que os pinball-maníacos aplaudem.

"É uma ótima idéia," diz John, um amigo colecionador de Las Vegas que possui 368 máquinas da Williams. "Ninguém mais no mundo está fazendo isso. Tem muita gente aí fora que tem grandes coleções, mas ninguém passou seu tempo pensando em fazer algo como Tim.”

O que Arnold tem em mente é abrir um centro de exibição não lucrativo, suas mil máquinas, com todos seus lucros voltando para manutenção e equipe de funcionários.

"Nós compraríamos um edifício, assim não teríamos que pagar um aluguel muito alto," Arnold diz. "Nossas despesas gerais seriam tão baixas que não haveria chance de falhar. E para certificar-se que todas as máquinas sejam usadas, teria uma recompensa para aqueles – e seriam muitos- que conseguiriam vencer cada máquina, que seria ou uma jaqueta de cetim ou uma placa com seu nome na parede. Você não consegue entender a história do pinball até que jogue todas elas cronologicamente.”

Através de doações, das vendas de vídeos de restauração de pinball, dos livros e dos ímãs de geladeira, Arnold já tem $45.000 para investir no edifício. Podem ser necessários 1 milhão de dólares, mas Arnold não se abala, e seus companheiros estão entusiasmados.

"Não se sabe se o negócio será auto-suficiente," diz Schelberg. "Mas certas coisas são verdades: Tim administrou um negócio muito bem sucedido em Michigan por anos, e sempre cumpriu suas metas. Quando disse que iria se mudar para Vegas, nós duvidamos: ‘Quantos jogos ele vai conseguir lá?’ Quando o visitei novamente [em Las Vegas], ele tinha 500 máquinas em sua quadra de tênis.”


Pinball: jogo de habilidade ou de azar?

Enquanto muitos consideram pinball o jogo para entretenimento de todos, a diversão de 60 anos tem uma longa história separando a linha que difere o jogo e a aposta.

Em tempos passados, algumas bagatelles (máquinas sem flippers, onde a bola rolava sobre uma tábua com pinos que a desviavam até cair em algum buraco com alguma pontuação) como a Rocket da Bally de 1933 ofereciam dinheiro se o jogador conseguisse acertar certos buracos. Era comum ver este tipo de máquina ao lado de bagatelles convencionais. A chegada de máquinas que ofereciam dinheiro versus máquinas que não ofereciam prêmios, trouxe à tona importantes perguntas sobre esta nova forma de entretenimento: Era o pinball um jogo de sorte ou habilidade? A resposta significaria a diferença entre um jogo inofensivo e uma forma de apostar- mesmo que o “pagamento” fosse uma partida extra.

Alguns Estados decretaram o fim do jogo. Em janeiro de 1942, por exemplo, o prefeito de Nova York, Fiorello Henry LaGuardia, proibiu o pinball como uma forma de aposta, despedaçando diversas máquinas em público. Também, o decreto Johnson Act de 1950 proibiu o transporte interestadual de determinados tipos de máquinas de pinball, porque eram julgados como jogos de aposta.

Fabricantes do pinball tais como Williams e Gottlieb responderam montando uma campanha própria (Pinball manufacturers such as Williams and Gottlieb responded by mounting a campaign of their own under the aegis of the Coin Machine Institute); estes fabricantes de pinball eliminaram as máquinas que pagavam e procuraram mostrar que o pinball era um passatempo para todos e que não tinha nenhuma conexão com apostas – especialmente com a introdução dos flippers ao jogo, que tornou mais do que nunca o pinball um jogo de habilidade. Ainda, a proibição em Nova York durou até 1976; os jogos extra na forma de replays como prêmio ainda são proibidos em Nova York e em outras cidades, embora as leis são cumpridas raramente — Andrew Kiraly

Traduzido por Luís Eduardo “Guns” Bomentre

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