Blog

Novidades
02 dezembro 2005

Paixão por pinballs! Entrevista com Rubens Almeida Júnior

Rubens de Almeida é um dos fundadores do movimento de colecionismo de pinball no Brasil. Pessoa extremamente discreta, normalmente não aparece diretamente na internet. Foi (e é ) um dos grandes incentivadores do surgimento do PINBALL CLUBE DO BRASIL, em São Paulo, sendo presença constante em seus eventos.

É também um grande aficcionado por máquinas modernas de pinball. Pouco a pouco, desenvolveu capacitação técnica, de forma que hoje restaura e conserta SOZINHO suas máquinas. A entrevista abaixo se destina a apresentar esta grande figura à comunidade (já era hora!!), mesmo porque, em poucos dias, irá fazer parte do grupo de colaboradores do site, através de uma seção de DICAS TÉCNICAS. Embora voltada para máquinas importadas, um grande número de princípios e soluções que serão expostas serão úteis aos admiradores e usuários de Pinball Taito, também. Vale acompanhar.


1 – Rubens, se apresente para os amigos do PINBALL BRASIL.

Resido em Belo Horizonte, sou funcionário público estadual, estudante de Direito e hoje, aos 32 anos, tenho o prazer de colecionar e fazer manutenções em máquinas de Pinball. Quando há disponibilidade de tempo, dedico-o para deixar as máquinas em dia, estudo sobre seu funcionamento e principalmente, jogo. É uma paixão, um prazer que aumenta a cada dia.

2 – Quando vc conheceu o Pinball?? Que idade tinha?? Como foi?? Qual a primeira máquina onde jogou??


Conheci Pinball em 1981, aos 8 anos. Naquela época eu servia de “hábeas corpus” para que meu pai fosse jogar sinuca (minha mãe ficava uma arara) em um centro de esportes que existia perto de minha casa. Lá tinha umas 10 máquinas, sendo que somente 3 era vídeo (asteróids, space invaders e pacman) Então, para “dar sossego”, ele enchia meu bolso de fichas. E, de primeira, identifiquei-me com as máquinas de pinballs. Dentre elas, Eletromecânias e Taito. Escolhi a Shock como predileta mas jogava em todas elas, que me lembro até hoje: Shock, Oba-oba, Drakor, Gemini 2000, Vortex, Zarza, Titan, Big Indian e Close Encounters, essas 2 últimas Eletromecânicas. Depois virou uma obsessão, levei surra várias vezes dos meus pais por causa das máquinas. Matei aulas. Chegava com uma única ficha e saía com várias no bolso. Aquelas histórias que todos conhecem…


3 – E a primeira "paixão"??


A Shock. É uma máquina que tem um som e uma jogabilidade extasiante. Até hoje é minha Taito predileta.


4 – Vc retomou contato com o pinball há quanto tempo??


Há 6 anos. Comprei uma Vortex, com muito custo, e assim me aprofundei no assunto. Nunca imaginei ser proprietário de uma máquina de Pinball. Ainda mais quando volto no tempo e fico lembrando do tempo de adolescência, quando dizia: “-Puxa, já pensou uma máquina dessa em casa?”


5 – Como surgiu a idéia de se tornar um colecionador??


Usando a internet, encontrei uma lista de discussão sobre Pinball. Comecei a trocar idéias com os participantes e conheci o Carlos César, que hoje é um grande amigo. Em uma viagem de negócios à São Paulo, aproveitei a oportunidade e fui conhecê-lo. Na época (há 5 anos atrás) ele era proprietário de uma Sure Shot e uma Drakor impecáveis. A partir desse encontro, amadureci a possibilidade de colecionar e assim comecei. Logo depois, conheci o Marcelo Maranho, outro grande amigo, e assim, nos ajudamos mutuamente para manter o hobby. Depois surgiu o Pinball Clube Brasil que infelizmente, fica em outro estado. Sempre que posso participo e contribuo com o clube. Foi uma idéia sensacional de nossos amigos.

6 – E as dificuldades??

Ah, são muitas. O espaço físico para deixar as máquinas é um problema que penso atingir todos os proprietários de pinball. Outra dificuldade é encontrar uma máquina em bom estado. Infelizmente 99% das máquinas foram exploradas comercialmente e muito “judiadas”. A grande maioria das máquinas que adquiri necessitaram de manutenção e restauração. E isso consome muito tempo e investimento. Tenho notado que os entusiastas por Eletromecânicas são os que mais sofrem no quesito restauração. Como são mais antigas, muitos colecionadores estão travando uma batalha árdua contra os cupins. Felizmente, 90% ficam hospedados no gabinete. Assim pode-se fazer um caixote novo, não esquecendo que isso gera custo e paciência.


7 – Vc hoje aprendeu muito sobre manutenção e restauração de máquinas, principalmente as importadas (com display).. Como foi isto??

Depois que comprei a minha primeira máquina (Vortex), comecei a pesquisar sobre a manutenção Taito. Sabemos que o esquemático da parte eletrônica das máquinas Taito é totalmente restrito. Algumas pessoas tentaram quebrar esse segredo (técnicos, engenheiros da área) e nunca conseguiram 100%. Então, manutenção de Taito ainda é complicado. Certo dia, encontrei um amigo que não via há anos (jogávamos juntos na época da adolescência), o Hudson que também era proprietário de uma Shark. Ele é técnico em eletrônica, conhece muito, além de ter muito esmero com as placas e máquinas. Juntos, acabamos adquirindo máquinas de última geração (década 90) e assim vieram os problemas técnicos. Eu aprendi muito com ele. Como essas máquinas vem com toda a documentação eletrônica, aprofundei muito na manutenção dessa geração. Estudei bastante a teoria de funcionamento dessas máquinas (imprescindível para quem quer fazer manutenção) e agrado muito da engenharia WPC / WPC95 (Williams / Bally). A SEGA também tem um excelente funcionamento, principalmente na parte dos flippers. Infelizmente, muitos que se dizem “técnicos” fazem coisas inadmissíveis. Um exemplo simples: já observei em dezenas de máquinas fusíveis “ponteados” (soldam um pedaço de fio ligando uma extremidade a outra do fusível). Resultado: placas com as trilhas eletrônicas totalmente destruídas. Até buraco em placa já pude presenciar. Hoje, tenho um vasto conhecimento sobre essas máquinas (que tem uma excelente jogabilidade) e aprendi muito com o colecionador americano Marvin Yagoda, que possui excelente material técnico(www.marvin3m.com). Vivenciei vários problemas de tirar o sono, mas nunca perdi a paciência e sempre o prazer pelas máquinas venceu o cansaço. E um aprendizado: somente quem realmente gosta de pinball, vai fazer um excelente reparo. As máquinas de última geração requer cuidado redobrado, pois o playfield é repleto de brinquedos frágeis e não agüenta mau uso como as eletromecânicas e taito’s. A limpeza também é muito importante. Geralmente desmonto toda a máquina e uso o que os fabricantes recomendam: cera a base de carnaúba. Produtos à base de solventes são um veneno para o verniz e a pintura do playfield.


8 – Quais os problemas para o jogador hoje em dia?? E para o colecionador? Tem algo que te chateia nisto tudo??

Para o jogador a falta de manutenção, sem dúvida. Flippers fracos, falta de funcionamento de contatos e lâminas, lâmpadas queimadas, pois não deixam o jogador se orientar no jogo. Um outro problema é que os jogadores tem resistência as máquinas mais novas. A maioria das vezes por causa do jogo ser mais complexo e não ser tão fácil de ganhar replay. É verdade que a indústria do pinball dificultou a meneira de ganhar. Em 90% dessas máquinas não existe o “SPECIAL” ou “ESPECIAL” como regra e sim no modo “mistério”. Mas as máquinas ficaram muito mais interessantes de jogar. Eu mesmo tive uma resistência com as importadas no começo. Mas pela minha insistência como jogador, sou defensor de todas as gerações de pinball. Para o colecionador, a falta de peças de reposição. As máquinas EM’s e Taito são mais fáceis para refazer certas peças mecânicas, o que não acontece com as importadas atuais. No Brasil, a importação de máquinas de pinball foi encerrada em 1999 e junto com elas as peças de reposição. O estoque nas poucas lojas do ramo já se esgotaram e agora só com a importação direta. Como tudo é cotado em dólar e ainda temos que pagar o imposto, fica bem difícil.
A Stern Pinball Inc., situada nos Estados Unidos, é a única fabrica no ramo atualmente. O fechamento da WMS (Williams/Bally) me chateou bastante, que fabricou as melhores máquinas de última geração.

9 – Voltando à sua coleção, quais são as máquinas que possui?? Tem alguma preferida??

Twister, Apollo 13, Mary Shelley’s Frankenstein, Arabin Nights, Attack from Mars, Champion Pub, Scared Stiff, Congo, Cirqus Voltaire, Johnny Mnemonic. Taito: Gemini 2000, Vortex, Zarza, Cosmic, Shock, Sure Shot, Fire Action, Hawkman, Polar Explorer, Rally dentre outras para restauração.

10 – Tem algum pinball do qual vc não gosta??

Especificamente não. Não gosto muito das Gottlieb’s da década de 90, pois os flippers não tem um ângulo agradável.

11 – Qual o conselho que pode dar para quem está começando uma coleção hoje em dia??

Muita gente compra pinball pensando que não vai ter problemas com manutenção e restauração. Primeiramente, quem quiser ter uma máquina impecável esteticamente e mecanicamente, geralmente pagará um preço salgado. Mas dependendo do caso, vale a pena. Quem optar por comprar uma máquina para fazer restauração, é bom que se estude o que vai gastar (em muitos casos não é pouco) e quanto tempo vai levar. Tente comprar de quem tem referência no meio dos colecionadores. Se possível veja a máquina pessoalmente ou peça para enviar fotos digitais em boa resolução. Não se esqueça de calcular o espaço disponível para colocar a raridade. E no mais, é JOGAR, JOGAR E JOGAR.

Um grande abraço a todos,

Rubens Almeida Junior
Belo Horizonte – MG
pinballmaniabh@yahoo.com.br

|

Deixe uma resposta

Translate »